“Nosso objetivo é melhorar a vida de um bilhão de pessoas ‘pobres de informação’ até 2030, posicionando 320 mil bibliotecas públicas do mundo em comunidades críticas, como ativos e fornecedores por meio de tecnologias relevantes”

Global Libraries

 

 

 

O TÔ NA REDE é uma parceria do Instituto de Políticas Relacionais com a Fundação Bill e Melinda Gates , o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e governos locais para melhorar o engajamento das bibliotecas públicas com a sua comunidade. Nosso objetivo principal é fomentar uma rede de conhecimento, leitura e informação por onde passamos e, dessa forma, potencializar o papel das bibliotecas públicas dentro de seus municípios. Elas devem ser espaços dinâmicos e modernos de criação, interação e disseminação da informação que acolham e envolvam as comunidades.

 

 

O TÔ NA REDE sempre começa por aumentar a capacidade de engajamento das pessoas que trabalham nas bibliotecas com a comunidade para que eles compreendam seu contexto e possam se valer da metodologia participativa para estabelecer novas parcerias. A biblioteca passa a se relacionar diretamente com governos locais, universidades, ONGs, comércio, canais de comunicação e etc.

Através de aulas e cursos, mobilizamos os funcionários das bibliotecas a identificar as demandas e talentos da comunidade e, em seguida, apontar as necessidades de informação e comunicação que o TÔ NA REDE vai trabalhar. Os funcionários realizam um mapeamento dos parceiros locais relevantes para as bibliotecas públicas e desenvolvem um plano de atividades participativo para seus usuários e a comunidade. Então, estabelecemos um “contrato de aprendizagem”: as regras que vão permear as atividades teóricas e práticas que a biblioteca vai oferecer como oficinas temáticas, palestras, vídeos, discussões em grupo, depoimentos e visitas em campo.

 

A segunda etapa do programa é um treinamento nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) a serviço das bibliotecas. Os participantes aumentam a capacidade de integrar as TICs aos serviços da biblioteca para expandir as possibilidades de atividades oferecidas e atender à comunidade. É nesse momento também que se forma a rede entre bibliotecas e outros parceiros: eles utilizam as plataformas online (e o próprio site do TÔ NA REDE) para trocar informações e integrar as esferas municipais, estaduais e nacional.

Pontos de Informação e Comunicação: Num esforço de aumentar sua capacidade de gerenciar informações locais, cada biblioteca pública tem uma área designada à instalação de novos equipamentos eletrônicos e móveis, com Wi-Fi livre e computadores com programas conforme demanda local. Nesse espaço acontecem os treinamentos em metodologia participativa, TICs e educomunicação. Funcionários das bibliotecas ficam responsáveis por selecionar um grupo de usuários, jovens da comunidade para o treinamento em conjunto. Eles também fazem a coleta, a classificação e a disseminação de informações do curso.

As ações do Tô na Rede estão diretamente ligadas aos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da ONU. Nesse sentido acreditamos que as Tecnologias da Informação e Comunicação são as ferramentas ideais para que os funcionários das bibliotecas possam atender melhor às necessidades da comunidade e, dessa forma, contribuir para o cumprimento dos objetivos da Agenda.

O projeto Tô na Rede participa dos programas internacionais:

Global Libraries da Fundação Bill & Melinda Gates, Iberbibliotecas, Internacional Program Advocacy da IFLA

Assim como os outros projetos do Instituto de Políticas Relacionais, o TÔ NA REDE é desenvolvido através da metodologia participativa. Contamos com a participação das pessoas que trabalham nas bibliotecas, além do engajamento da comunidade, para desenvolvermos em conjunto um plano de atividades que atenda às demandas específicas de cada local. A metodologia participativa se baseia nos ensinamentos de Paulo Freire e nos métodos do Psicodrama, de maneira a valorizar a realidade de cada um.

É criado um espaço que evidencia as diferenças, promove o questionamento e a reflexão sobre as ações e movimentos e, assim, reforça a cidadania e a rede dentro de cada comunidade.

Na metodologia participativa, consideramos as individualidades de cada biblioteca e a maneira como seus funcionários exercem as atividades do cotidiano, para depois encontrar os conflitos e pensar, em conjunto, na solução. Dessa forma, os participantes podem ver com clareza os papéis que desempenham dentro da rede. As articulações e rearticulações possibilitam um profissional mais qualificado para atender a comunidade. É comprovado que a qualidade dos resultados é sempre melhor quando as pessoas, sejam funcionários das bibliotecas ou do governo local, participam ativamente do planejamento e da execução do projeto. Os atores ficam mais investidos quando são incorporados organicamente ao processo. O trabalho visa o desenvolvimento comunitário, o bem-estar da população e o fomento de relações sociais saudáveis.

Neste sentido, dentro de cada biblioteca é estabelecido um Ponto TÔ NA REDE, como uma estratégia de envolvimento entre equipe e comunidade e como apoio às atividades a serem realizadas. Ao longo do programa, as bibliotecas articulam uma rede entre si e com seus parceiros para facilitar a troca de informações e aprendizados. Além de poder ser replicada em outras bibliotecas públicas pelo país, a iniciativa do TÔ NA REDE, integra bibliotecários municipais, coordenadores estaduais e o SNBP (Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas).

O que é Psicodrama?

 

Drama” significa “ação” em grego. Psicodrama pode ser definido como uma via de investigação da alma humana mediante a ação. É um método de pesquisa e intervenção nas relações interpessoais, nos grupos, entre grupos ou de uma pessoa consigo mesma. Mobiliza para vivenciar a realidade a partir do reconhecimento das diferenças e dos conflitos e facilita a busca de alternativas para a resolução do que é revelado, expandindo os recursos disponíveis. Tem sido amplamente utilizado na educação, nas empresas, nos hospitais, na clínica, nas comunidades.

 

 

O Psicodrama é uma parte de uma construção muito mais ampla, criada por Jacob Levy Moreno, a Socionomia. Na verdade, a denominação da parte foi estendida para o todo e, quando as pessoas usam o termo Psicodrama, estão, geralmente, se referindo à Socionomia. Ciência das leis sociais e das relações, a socionomia é caracterizada fundamentalmente por seu foco na intersecção do mundo subjetivo, psicológico e do mundo objetivo, social, contextualizando o indivíduo em relação às suas circunstâncias. Divide-se em três ramos: a Sociometria, a Sociodinâmica e a Sociatria, que guardam em comum a ação dramática como recurso para facilitar a expressão da realidade implícita nas relações interpessoais ou para a investigação e reflexão sobre determinado tema.

Sociometria, através do teste sociométrico, mensura as escolhas dos indivíduos e expressa-as através de gráficos representativos das relações interpessoais, possibilitando a compreensão da estrutura grupal.

Sociodinâmica investiga a dinâmica do grupo, as redes de vínculos entre os componentes dos grupos.

Sociatria propõe-se à transformação social, à terapia da sociedade.

A Sociodinâmica e a Sociatria têm objetivos complementares e utilizam-se das mesmas técnicas: o Psicodrama, o Sociodrama, o Role Playing, o Teatro Espontâneo, a Psicoterapia de Grupo.

Enquanto técnicas, a diferença entre o Psicodrama e o Sociodrama consiste em que no primeiro o trabalho dramático focaliza o indivíduo – embora sempre visto como um ser em relação – e no segundo focaliza o próprio grupo.

A transformação social e o trabalho com a comunidade era o grande sonho de Moreno. No começo do século XX, ele ia às praças e ruas de Viena e relacionava-se com crianças e adultos, estimulando-os a descobrirem novas formas de estar no mundo. A filosofia do momento, que embasa a teoria e a prática psicodramática, foi sendo configurada através de sua observação do potencial criativo do ser humano.

 

Desde então, o Psicodrama vem se transformando, desenvolvendo-se como teoria e como prática. Profissionais da área clínica adaptaram-no para o atendimento processual em consultório, muitas vezes num enquadre de psicoterapia individual, trazendo novas contribuições para a teoria psicodramática do desenvolvimento emocional e para a compreensão da psicopatologia, assim como para a configuração de modelos referenciais na compreensão da experiência emocional humana e dos grupos. Neste contexto, mais comumente, a expressão dos impedimentos e conflitos envolve tensão, agressividade e, principalmente, o reconhecimento e acolhimento da dor psíquica.

Na última década, testemunhamos um resgate das origens do Psicodrama no teatro e no social, com inúmeras contribuições para a metodologia psicodramática. Novas modalidades do teatro espontâneo foram apresentadas para trabalhar questões humanas mantendo a privacidade das pessoas, condição necessária para o trabalho educacional.

A prática psicodramática, em suas inúmeras modalidades, começa pelo envolvimento das pessoas com o tema ou com a experiência a ser vivenciada, através de lembranças ou histórias do cotidiano dos indivíduos e/ou das organizações.

Cabe ao diretor manejar as técnicas psicodramáticas, como recursos de ação, para garantir o envolvimento do grupo e a escolha da cena protagônica, que refletirá a experiência dos presentes. Ele vai convidando todos para participarem na criação conjunta do enredo, favorecendo a emergência da realidade grupal.

Neste sentido, o Psicodrama é facilitador da manifestação das idéias, dos conflitos sobre um tema, dos dilemas morais, impedimentos e possibilidades de expressão em determinada situação. Fundamentado na teoria do momento e no princípio da espontaneidade, promove a participação livre de todos e estimula a criatividade na produção dramática e na catarse ativa.

Finaliza-se com os comentários, inicialmente dos participantes da cena e depois do grande grupo, com a identificação da realidade que acaba de ser vivenciada e com o levantamento de soluções possíveis para as questões abordadas.

No trabalho com o social, buscam-se soluções práticas e reais para os problemas, contribuindo para a descoberta de alternativas que promovam o desenvolvimento sustentável nas comunidades.

O principal objetivo da ação dramática é favorecer aos membros do grupo a descoberta da riqueza inerente em vivenciar plenamente o status nascendi da experiência grupal, participando com a maior honestidade possível no momento. Desta maneira, os participantes recriarão no grupo seus modelos de relacionamento, confrontando e sendo confrontados com as diferenças individuais, condição necessária para apreenderem a distinção entre sua experiência emocional e a dos outros, sendo cada um deles agente transformador dos demais.

O Psicodrama vem expandindo suas fronteiras, ampliando a diversidade de experiências de intervenção psicossocial . Acompanhando esta expansão, a produção científica tem procurado aprofundar as questões provocadas por esta prática renovada.

Os psicodramatistas são profissionais de diferentes áreas: médicos, psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, profissionais de RH, todas as pessoas que em seu exercício profissional trabalham com grupos.

A Federação Brasileira de Psicodrama – FEBRAP dedica-se ao ensino e ao desenvolvimento da proposta socionômica de Moreno, promove eventos científicos – com destaque para o Congresso Brasileiro – e intercâmbio com a comunidade científica internacional, sempre estimulando a reflexão sobre a teoria e prática do Psicodrama, seus alcances e possibilidades de intervenção social.

Cidadania e Sociopsicodrama

Trabalhar o conceito de Cidadania a partir das comunidades, utilizando a metodologia do sociopsicodrama, que é participativa e emancipatória, nas cidades que propõe a relação entre as pessoas em grupo, trabalhando as suas questões emergentes no coletivo: suas relações sociais, a subjetividade e o meio ambiente, trazendo a visibilidade para o grupo da sua representação na sociedade a partir de seus valores, no foco da ética, afirmando sua cidadania, direitos e deveres no exercício do cotidiano.

Este exercício se dá a partir da participação da população efetivamente nos programas e projetos, fóruns, movimentos compatíveis com sua comunidade local. Nossa metodologia  facilita propostas de projetos e programas sejam legitimados pelas comunidades e possam dar continuidade desses programas mesmo que já tenham terminado seus prazos. Estas comunidades podem ser multiplicadores de ações para o exercício da cidadania proporcionando o Protagonismo Social Local.

Política de Grupo

Porque trabalhar com a política de grupos e não a política de massa?

Grupo é o lugar do conflito, nesse sentido é o lugar onde as pessoas podem se posicionar, discutir, criar novas soluções, criar redes de sustentação e, portanto, exercitar a cidadania, assumindo responsabilidade frente ao coletivo. Grupo é o lugar das diferenças, onde a transferência é trabalhada e resignificada, o que propiciando que as pessoas se responsabilizem pela produção de suas relações e ações. A política de massa é o lugar onde a população não cria redes de sustentação, não cabe a diferença, onde “todos” e “nenhum” é a mesma coisa, pois não cabe o conflito. É a reprodução do sistema hierárquico do poder no qual vivemos.

O trabalho acontece em grupos, num constante movimento de ação-reflexão, visando a pesquisa, a compreensão e a intervenção espontânea e criativa nessas dinâmicas, para  se des-envolverem das  tramas que podem dificultar as novas ações,  e mais especificamente, facilitar a percepção – dos jogos que não percebemos, das cenas que nos são negadas e dos papéis que nos atribuem … ,– recriando o real, através da metodologia de sociopsicodrama.

O próprio envolvimento e proximidade necessários na comunidade, contraditoriamente, impedem que a população tenha distanciamento suficiente para captar pela dinâmica consciente, dados subjacentes, levando a uma visão parcial e tomada como se fosse completa. Há peças nesse quebra cabeças que não se mostram tão facilmente a olho nu…Esses dados, quando percebidos e re-articulados, deverão dar aos problemas uma nova configuração que, provavelmente, apontará para soluções que não podiam ser vistas anteriormente.

Marisa Greeb – sociopsicodramatista

Quem criou o Psicodrama?

“Existem palavras sábias, mas a
sabedoria não é suficiente,

falta ação”

Jacob Levy Moreno, o criador do Psicodrama, nasceu em 6 de maio de 1889, na cidade de Bucareste, na Romênia. Era de origem judaica (sefardim). Sua família veio da península ibérica e radicou-se na Romênia na época da Inquisição. Aos cinco anos de idade mudou-se com a família para Viena e foi neste local que vivenciou a brincadeira de ser deus, que ele, com humor, relaciona à sua idéia de espontaneidade como centelha divina que existe em cada um de nós. Nessa brincadeira, em que ele e várias outras crianças jogavam ser deus e os anjos, Moreno estava sentado no “trono de deus” – uma cadeira em cima de caixotes empilhados sobre uma mesa – e um dos “anjos” solicitou-lhe que voasse. Ele tentou atender e, naturalmente, estatelou-se no chão e fraturou o braço direito.

Até 1920, Moreno teve uma intensa vida religiosa. Fez parte de um grupo que fundou a “Religião do Encontro”. Eles expressavam sua rebeldia diante dos costumes estabelecidos usando barbas, vivendo pelas ruas à maneira dos mais pobres e procurando novas formas de interação com o povo. Neste período, ele ia aos jardins de Viena e criava jogos de improviso com as crianças, favorecendo a espontaneidade, e participou, no ano de 1914, em Amspittelberg, juntamente com um médico venereologista e um jornalista, de um trabalho com prostitutas vienenses através do qual, utilizando técnicas grupais, conscientizou-as de sua condição, o que proporcionou que organizassem uma espécie de sindicato. Formou-se em medicina em 1917.

Interessou-se pelo Teatro onde, segundo ele, “existiam possibilidades ilimitadas para a investigação da espontaneidade no plano experimental”. Fundou, em 1921, o Teatro Vienense da Espontaneidade, experiência que constituiu a base de suas idéias da Psicoterapia de Grupo e do Psicodrama. Ao trabalhar com os pacientes do hospital psiquiátrico usando o “Teatro da Espontaneidade”, criou o Teatro Terapêutico, que depois foi chamado “Psicodrama Terapêutico”. A proposta do Teatro da Espontaneidade era de criar uma representação espontânea, sem texto pronto e decorado, com os atores criando no momento e assim relacionando-se com a plateia. A partir daí ele criou o “jornal vivo”, em que dramatizava as notícias do jornal diário junto com o grupo participante, lançando naquele momento as raízes do Sociodrama.

De 1917 até 1920 colaborou com a Daimon Magazine , importante revista existencialista e expressionista, na qual colaboravam também Martin Buber, Max Scheller, Jakob Wasserman, Kafka, entre outros. Em 1925 emigrou para os EUA. Dois anos depois fez a primeira apresentação do Psicodrama fora da Europa. Em 1931 introduziu o termo Psicoterapia de Grupo e este ficou sendo considerado o ano verdadeiro do início da Psicoterapia de Grupo científica, embora as fundamentações e experiências tenham iniciado em Viena.

Moreno morreu em Beacon, em 14 de maio de 1974, aos 85 anos de idade e pediu que em sua sepultura fossem gravadas as seguintes palavras: “Aqui jaz aquele que abriu as portas da Psiquiatria à alegria”.

Lições de Psicodrama

Introdução ao Pensamento de J.L.Moreno
Camila Salles Gonçalves
José Roberto Wolff
Wilson Castello de Almeida
1988 – Ed. Ágora

O TÔ NA REDE oferece um curso a todos os funcionários das bibliotecas participantes. Além de capacitar a equipe em todas as etapas do programa (com duração de 12 meses) , as aulas também fortalecem a relações entre os participantes. Ao todo, são 6 blocos de formação:

Ética e Cidadania, com as facilitadoras e  diretoras do Instituto de Políticas Relacionais, Daniela Greeb e Vanessa Labigalini,

Reconhecimento de Talentos, por Erica Faria,

Advocacy para bibliotecas e a Agenda 2030,  ministrado por Adriana Ferrari,

Mapeamento Local, com Veridiana Negrini e Martha Lemos,

TIC: leitura crítica do uso da comunicação, com Isis Lima Soares.

Ao final, Daniela e Vanessa retornam para ajudar com o Plano Anual de Atividades. Você pode conferir os cursos online e o material de apoio aqui no site!

Encontro com Parceiros das Bibliotecas para apresentação dos resultados e das propostas de sustentabilidade.

Veja como foi o processo de Avaliação de Impacto

Resultados do projeto-piloto realizados nas cidades de São Paulo (SP), Arapiraca (AL), Belém (PA):

Resultados Quantitativos:

167 profissionais de bibliotecas treinados 

  • belém – 72
  • arapiraca – 71
  • são paulo – 24

46 jovens treinados 

  • belém – 17
  • arapiraca – 23
  • são paulo – 6

250 parcerias realizadas:

  • belém: 42
  • arapiraca: 154 (cidade toda)
  • são paulo: 54

5 Pontos de Informação e Comunicação – implantados como espaço Tô NA REDE

Resultados Qualitativos:

  • melhoraram a autoestima
  • mudaram sua visão sobre a biblioteca
  • usam tics nas atividades
  • usam metodologia participativa
  • plano anual de atividades com a comunidade
  • replicaram ainda no piloto em outras bibliotecas

A análise de indicadores das atividades do projeto piloto resultou em um livro que serve de guia para o uso da metodologia participativa em qualquer comunidade. Ele mostra seu potencial de gerar mudanças reais e melhorar serviços de acordo com as demandas da população. A publicação hoje serve de parâmetro para replicarmos a iniciativa em outras bibliotecas, municípios e Estados. Basta uma parceria local e a vontade de mudar! Atualmente o TÔ NA REDE está trabalhando no processo de interiorização no Pará, começando o curso em Pernambuco e em pré-produção em São João da Boa Vista no interior de São Paulo, mas entre 2014 e 2016 realizamos o projeto piloto em três cidades: Arapiraca (AL), São Paulo (SP) e Belém (PA). Com essa experiência notamos que o resultado mais significativo do TÔ NA REDE é a melhoria na maneira como a comunidade e a biblioteca se percebem e atendem às suas respectivas necessidades.

Projeto To na Rede_Belem_etapa qualitativa_gupo focal_Painel_Biblioteca Publica Arthur Vianna. Dayane Cristina de Souza Brito.

Avaliação de Impacto foi realizada por meio de pesquisa que refere-se à elaboração, desenvolvimento e aplicação de instrumentais para o processo de avaliação e possíveis impactos gerados pelo projeto piloto do Programa Tô na Rede (2014-2015), implantado nas cidades: Arapiraca – Alagoas; Belém – Pará; São Paulo (extremo sul)  – SP.

A demanda foi de criar um processo de avaliação e monitoramento participativo, a partir de ações presenciais e a distância, priorizando as experiências empíricas com os funcionários de bibliotecas públicas nas cidades acima citadas, que participaram do projeto piloto Tô na Rede (2014-2015).

Um dos nortes do processo de avaliação, foram as orientações sugeridas pelo consultor David Streatfield  (Fundação Bill e Melinda Gates) para a dimensão qualitativa, assim como sugestão do Survey CIMS, o qual indicou um conjunto de questões que no desenho metodológico da pesquisa estão presentes, com uma formulação adaptada e incorporada a um formulário (questionário), para que se possa captar as realidades locais.

A pesquisa buscou trabalhar tanto com dados quantitativos, quanto  qualitativos, para não ressaltar somente espectros de ordem numérica, mas também captar dimensões qualitativas em que o projeto provocou mudanças na vida cotidiana e práticas de trabalho colaborativo dos atores sociais (envolvidos diretamente e indiretamente), também nas relações profissionais, afetiva e de auto-reflexão dos participantes.

É importante ressaltar que a pesquisa se guiou por diretrizes de teor analítico, as quais resultaram em uma extensa avaliação da documentação do processo, que é possível ser aferido no Relatório para um Guia de Metodologia Participativa para Bibliotecas Públicas: Tô na Rede. A segunda diretriz, foi o recorte contextual de cada cidade, o qual envolve um olhar institucional da oferta de serviços públicos em cada local e  político, que buscou analisar  a participação e interação da estrutura pública, a qual estas bibliotecas estão alocadas. Os resultados em cada uma delas foram diferentes, desta forma, a pesquisa buscou valorar as especificidades locais para o desenho de instrumentais, sobretudo de monitoramento e formação dos participantes do projeto Tô na Rede.

Desta maneira, a pesquisa se concentrou na aplicação de metodologias qualitativas e quantitativas com embasamento teórico, executadas nas três cidades (Arapiraca, Belém, São Paulo) para gerarem dados que possibilitem a comparação e avaliação do Projeto Tô na Rede e seus possíveis impactos.

 

A pesquisa foi dividida em duas etapas:

  1. Etapa quantitativa

Aplicação presencial do instrumental de coletas de dados – questionário (SP, AL, PA), por meio de entrevistas com questionário fechado quantitativo, que possibilitou mensurar aspectos quantificáveis do projeto, tais como: a quantidade de participantes, grau de escolaridade, gênero, atividades desenvolvidas a partir da formação realizada com gestores públicos nas bibliotecas escolhidas pelo projeto, dentre outros aspectos importantes para compreensão mais objetiva do processo.

Para esta parte quantitativa da pesquisa foi desenvolvido um questionário comum para as 03 cidades, o qual foi sistematizado por meio de formulário online (Lime Survey) com banco de dados programado para gerar tabulações gerais entre as cidades, a partir das seguintes linhas de avaliação:

  1. Perfil e caracterização dos participantes da pesquisa
  2. Caracterização da infraestrutura das bibliotecas participantes, segundo a percepção dos funcionários
  3. Avaliação do uso de tecnologias de informação e comunicação – TIC’s
  4. Avaliação das relações interpessoais e crescimento pessoal dos participantes do Projeto Tô na Rede
  5. Avaliação das relação de mediação com o públicos e territórios

2.  Etapa qualitativa

A segunda etapa da pesquisa, identificou os aspectos qualitativos fomentados pelo projeto. Como não são aspectos mensuráveis, pois trata-se de captar esferas mais subjetivas da vida, tais como sentimentos de autoestima, pertencimento, entre outros elementos, que transcenderam os objetivos iniciais do projeto. Essas duas etapas aconteçam em momentos diferentes da pesquisa e ambas tiveram trabalhos de campo presenciais. A etapa qualitativa aconteceu por meio de grupos de mediação com questões focais que orientaram o processo de avaliação do grupo de funcionários e os impactos do projeto.

Veja o Relatório Pesquisa de Avaliação e Impacto Tô na Rede